Descobrimos piolhos na família durante a viagem

O que você faria se estivesse viajando nos EUA e encontrasse piolhos e lêndeas na cabeça dos seus filhos e na sua?

Eu nem lembrava mais que existiam piolhos. Mas lembro-me bem quando era criança, uns 9 anos, e que minha vó passava horas com o pente fino nos meus longos cabelos para tirar as lêndeas e os piolhos. E naquela época se usava vinagre com sal para matar os bichos.

Mas eu tive uma surpresa em uma das nossas viagens de neve: piolhos ainda existem!

Em dezembro de 2015 viajei com minha família: marido, casal de filhos e nossa amiga.

Minha querida filha de 11 anos, de longos cabelos cacheados, começou a se queixar de coceira na cabeça ainda no Brasil. Como era dezembro, provas, fim de ano, etc. pensamos que fosse algo como stress, dermatite seborréica, coisas assim…

Pois viajamos e a cabeça da menina coçava, e coçava tanto que estava com o couro cabeludo bem avermelhado… Chegamos na estação de esqui em Salt Lake City, Utah. Passávamos o dia todo esquiando e, obviamente, com capacetes.

Um belo e gélido dia, ao chegarmos de uma longa sessão de aulas de esqui, eu notei algo andando na cabeça dela, “seria piolho”? Como eu não enxergo tão bem assim de perto – passei um pouquinho dos 40 anos- … coloquei meus óculos de leitura de 5 $, e constatei: piolho positivo!

Chamei o pai, que é médico, para o diagnóstico final. Quando eu comecei a mexer na cabeça dela… meu Deus… entrei em pânico. Tinham poucos piolhos mas havia milhares de lêndeas. A lêndea não é a mulher do piolho, mas sim o nome do ovo do piolho. Existe o piolho macho, o piolho fêmea e a lêndea.

Pensei: vixe, estamos nos EUA, duvido que alguém tem piolhos aqui… E como vou falar disso? Sei lá se vão chamar o CDC (Centers of Disease Control) para recolher amostras deste piolho tupiniquim… Nos isolar… Sei lá!

Primeira coisa a fazer: Google. Google para lembrar como tratar piolhos… acha que  lembrávamos das aulas de parasitologia? Nada.

Eu precisa falar para alguém que minha filha tinha piolho (louse). Vamos lá, em inglês piolhos = lice ; lêndea = nit.

Segundo passo, fui na Pharmacy, “quem sabe eles tem Scabin“, pensei… Afinal eu sou farmacêutica caramba! Tenho que resolver isso. Mas, confesso que me deu uma certa “vergonha” de perguntar isso ao farmacêutico, e fomos primeiro procurar os medicamentos possíveis nas gôndolas da farmácia. Não encontramos nada.

Criei coragem e fui falar com o meu “colega”. Fiquei na fila. Falei bem baixinho para que os outros clientes não ouvissem… Minha cara é de quem estava com hemorróida ou coisa assim… Chegando minha vez, expliquei que minha filha tinha o tal de “lice”. O farmacêutico, super educado, deu um sorriso, e disse: “ok, não se preocupe, você precisará de um shampoo, este tipo de medicamento não fica por aqui. Você encontrará num corredor do mercado”. E apontou, pois a farmácia ficava dentro de um mercado, muito comum nos EUA.

Lá tinham os produtos para carrapato, pulgas em cães, Frontline, essas coisas. Achei meio estranho, mas tudo bem, vamos lá resolver o problema.

E no meio disso tudo, estavam, bem discretos, os medicamentos para piolhos! Na verdade servia também para tratar algo comum nos EUA: pulga de colchão. Por 20 doletas levei o kit RID: um shampoo, um creme para passar o pente fino, o pente fino super bacana e um aerosol mata piolho de capacetes, travesseiros, ambientes, etc. Com o dólar a R$ 4,50, eita remedinho caro hein!… no Brasil um shampoo para piolho custa R$ 9,00.

Shampoo para piolhoQue bom! meus problemas acabariam! Só que não.

Primeiro, tem que passar esse pente fino várias vezes porque se deve fazer a remoção mecânica do bicho e de seus ovos. Eu fiquei umas 3 horas passando pente fino na menina todos os dias a noite, durante 1 semana…

Segundo, meu filho mais velho, agora com 13 anos, também pegou… Entrou na fila do pente fino também…

E terceiro, EU peguei…. no começo achava que minha cabeça coçava porque talvez fosse “psicológico”… mas que nada… Era piolho mesmo, muitas lêndeas… Mas como meu cabelo é modelo curto, foi mais fácil. Nossa amiga que estava junto, não pegou. Deve ter o “corpo fechado”.

Enfim, foram muitos shampoos, muitos dias tratando, meu tempo quase todo tomado com pente fino e cabelos…e os bichos sobrevivendo a uma temperatura de – 20 graus…inacreditável. Piolho brasileiro, é forte, é resistente…

De volta ao Brasil, continuamos o tratamento. E é claro, acabou viu gente, não tenho mais piolho!

E meu marido, não pegou… porque? Simples: é quase careca. São as vantagens de se ter poucos cabelos: não pega piolho!

Gostaria de deixar claro que tomamos todas as providências para não alterar a ordem dos insetos Anoplura da espécie Pediculus humanus do estado de Utah. E também é importante dizer que os americanos tem piolho sim, segundo o CDC, cerca de 6 a 12 milhões de crianças, em idade escolar, são infestadas por ano.

No Brasil estima-se que 30% das crianças em fase escolar tenham piolho (fonte: http://www.phthiraptera.info/Publications/47001.pdf).

Esse é mais um, eu diria, bug literal de viagem.

Sobre o autor

A blogueira é professora / gestora universitária. Quando não está trabalhando, sai para explorar lugares e comidas pelo planeta. Ensina e aprende trocando opiniões sobre viagem.

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